O Centro de Pesquisa Multiusuário do Araguaia (CPMUA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) no Câmpus Universitário do Araguaia (CUA) está desenvolvendo um estudo para produção de um curativo à base de látex com ativos da Amazônia Legal para tratamento de feridas de difícil cicatrização em pessoas com diabetes ou que sofreram graves queimaduras. A pesquisa recebeu mais de R$ 1 milhão como investimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científica e Tecnológico (FNDCT), e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
De acordo com a pesquisa coordenada pela professora, Madileine Américo, no Brasil a diabetes afeta cerca de 9,4% da população adulta, que baseado no censo de 2023 significaria aproximadamente 19,08 milhões de pessoas. A pesquisadora explica que uma das dificuldades encontradas por portadores de diabetes é a difícil cicatrização de feridas que são causadas por problemas no metabolismo, por esse motivo, a ideia de um curativo que possua propriedades capazes de acelerar o processo de cicatrização, seria um alívio para pacientes diabéticos.
Os primeiros testes de 2025 foram para avaliar a qualidade dos protótipos do curativo, na sequência foram realizados os primeiros testes em animais queimados que não possuíam diabetes. Os resultados da etapa de experimentação em animais vivos estão sob análise para comprovar a pesquisa desenvolvida desde 2013 com resultados bem sucedidos. “O próximo passo é testar a melhor formulação, nos indivíduos queimados com diabetes”, afirmou a pesquisadora do projeto, especialista em Imunologia e ciências materiais doutora Paula Souto.
O CPMUA tem um parque tecnológico avaliado em mais de R$ 12 milhões, como um pilar no desenvolvimento de pesquisas e no atendimento de demandas científicas da região. A professora Madileine Américo, coordenadora do CPMUA, aponta que o modelo de prestação de serviços com equipamentos de ponta e caráter multidisciplinar é o único do estado, o que faz do centro um espaço inovador em pesquisas. O centro de pesquisa faz experimentos nas áreas de agronomia, farmácia, biomedicina, engenharia, ciências de materiais e ambientais, atendendo empresas, pesquisas acadêmicas e outras universidades.
Criado com financiamentos da UFMT, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e também do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação por meio da Finep. Além dos investimentos públicos, o centro conta ainda com um modelo de prestação de serviços a instituições privadas da região, que ajudam na manutenção e aquisição de novos equipamentos. A Ambev é uma das empresas que já utilizaram os equipamentos do Centro de Pesquisas do Araguaia, assim como a Ihara que é conhecida no ramo da agricultura por apresentar soluções inovadoras na proteção de cultivos.
O CPMUA busca recursos, por meio de editais, para aumentar a área de 495m², para 1.321m². “Atualmente temos a área de agronomia que desenvolve cerca de cinquenta amostras por semana, com a ampliação seria possível analisar cinquenta amostras por dia”, pontua a professora Madilene Américo sobre o aumento da área que pelos oito laboratórios será possível a separação física das áreas de pesquisa do centro, para mais eficiência nos trabalhos desenvolvidos. A coordenadora do projeto ressalta a importância da ampliação para separar, por exemplo, a área específica do ambiente para a criação dos animais experimentais, seguindo as normas dos comitês de ética e saúde animal.
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