A defesa do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) descartou qualquer indício de tráfico de influência no diálogo mantido por ele com o desembargador Marcos Machado. A troca de telefonemas, parte do material obtido no decorrer da Operação Arqueiro, ocorreu após a prisão da esposa de Silval, a ex-primeira-dama Roseli de Fátima Meira Barbosa, que acabou ganhado a liberdade somente após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Para Ulisses Rabaneda, um dos advogados do ex-governador, apenas Silval e Machado podem falar sobre as conversas mantidas por telefone. “Nós, advogados, não temos nenhuma condição de falar sobre aquela gravação. Acho que não há ninguém melhor do que eles para comentar. O desembargador já se manifestou sobre o assunto e Silval não falou por conta de toda a situação”, destaca o defensor do ex-governador, preso preventivamente desde a última quinta-feira (17).
Embora não queira falar oficialmente sobre o assunto, Rabaneda avalia que no diálogo não há nada que possa incriminar o ex-governador e o magistrado . “Do diálogo que vi, não identifiquei nenhum tráfico de influência. Juízes são pessoas, possuem relacionamentos, isso é normal. Até por este motivo há a figura da suspeiçãopara casos deste tipo”.
Em sua defesa, Machado salientou que os diálogos mostram que ele fez apenas uma análise jurídica, como um amigo da família, que conhece desde 2002. “Prestei minha solidariedade como amigo. Tanto não fiz nenhum tráfico de influência que o habeas corpus foi negado no TJ e só concedido no Superior Tribunal de Justiça (STJ)”.